Entrevista Rodolfo Abrantes Ex-Raimundos

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Ele foi um ícone do rock’ n’ roll brasileiro e hoje diz aos jovens: “Conhecer Jesus e caminhar com Ele foi a
melhor coisa que me aconteceu. Ele é acessível, está perto e te ama. Abra o coração e deixe Ele entrar”

Os aficionados pelo rock nacional ainda lembram dos tempos em que Raimundos reinava nas rádios brasileiras. No auge da banda, em 2001, quando já tinham sido vendidos 2,5 milhões de discos, uma notícia bombástica indignou os fãs: o vocalista Rodolfo Abrantes deixou o grupo. Rodolfo contou na época que a saída do grupo ocorreu para permitir a entrada de algo maior em sua vida: o amor de Deus. Após 15 anos, Rodolfo hoje é missionário e viaja pelo mundo para pregar a Palavra, ao lado da esposa, Alexandra.

No meio musical já tem três álbuns. Hoje, ele se diz um homem diferente. “Quando o coração muda, tudo começa a refletir essa mudança. Jesus precisa ser colocado no centro para que tudo seja transformado”.

Confira a entrevista:

ESN: Como foi o seu encontro com Deus? O que você sentiu na hora que te fez acreditar que tudo poderia mudar?

Rodolfo: Em 2000 eu estava vivendo, ao mesmo tempo, o auge da minha carreira e o fundo do poço. Havia sintomas no meu corpo que apontavam para enfermidades, minha área emocional estava arrebentada, e o esforço para aparentar que estava tudo bem acabava consumindo toda a minha energia. Eu estava sem esperança de que algo podia mudar. Nessa época minha esposa começou a buscar ajuda, e aos poucos foi se entregando a Deus. Eu olhava pra tudo isso com desconfiança. Assim como a maioria das pessoas que não O conhecem, eu não tinha muita simpatia com nada relacionado à igreja ou religião. Até que um dia, sem querer, eu participei de uma reunião de oração que foi um divisor de águas em minha vida. A partir daquele dia comecei a experimentar o amor de Deus. Recebi cura, perdi a vontade de usar drogas, enfim, parecia que eu tinha acabado de nascer, e quando coisas aparentemente impossíveis de acontecer acontecem, a esperança de que aquilo que está ao meu alcance pode mudar me encorajou a mudar de vida.

ESN: Quando você decidiu caminhar com Deus houve uma mudança radical em sua vida. Por que você ficou “sumido” dos holofotes da mídia?

Rodolfo: Na verdade foi um alívio. Quando a notícia da minha conversão se tornou pública, rolou perseguição, manifestação de ódio e indignação, e quanto mais eu tentasse explicar, pior a coisa ficava. Levou um tempo pra eu entender que tudo isso vem no pacote quando você rompe com o sistema por causa do Reino de Deus. Era melhor ficar na minha e deixar que falassem o que quisessem. Críticos sempre vão criticar, opinião todo mundo tem, é perda de tempo dar atenção ao falatório de pessoas que não te conhecem nem querem o seu bem.

ESN: Muitos apontaram você como “aberração”, “doente”, “maluco”. Como você reagia? Alguém o ajudou?

Rodolfo: No começo foi difícil entender que as pessoas só te aplaudem quando você faz o que elas gostam, quando você fala o que elas querem ouvir. Pouca gente se toca que antes de ser um artista que tinha um trabalho, eu sou um ser humano que tem uma vida pela qual eu estava lutando. Deixei falarem, e hoje aprendi que nada do que disseram alterou em nada o que eu sou. Estou vivo.

ESN: Hoje quem é o Rodolfo Abrantes? O que Jesus fez na sua vida?

Rodolfo: Eu sou mais um que conheceu o amor de Cristo e não conseguiu ficar como era. Entreguei meu tudo e Ele não para de trabalhar em mim.

ESN: Como você vê a relação com sua família antes e depois de Cristo?

Rodolfo: Antes era distante, mesmo eu estando perto, por causa do consumo de drogas. Isso me roubou momentos preciosos que não voltam e fazem falta. É muito bom não ter o que esconder dos seus pais e poder olhar nos olhos sem se envergonhar.

ESN: Você era muito amigo do Chorão, (Charlie Brow Jr.) falecido em 2013. Você pregou para ele?

Rodolfo: Sim, num camarim em Belo Horizonte. Tinha alguns anos que a gente não se via e ele pediu pra que eu contasse com detalhes como foi a minha história. Chorão tinha um coração fantástico e ouviu tudo com atenção. Ele demonstrou muito respeito e sei que foi sincero, pois ele não era fingido. Ele tinha muitos amigos do tempo do skate que tinham se convertido e que estavam orando com ele. Esses falaram bem mais de Jesus pra ele do que eu. Fiquei arrasado quando soube do seu falecimento, na minha cabeça ele teria tempo de tomar uma atitude diferente. Foi uma perda.

ESN: E o suicídio do Champignon?

Rodolfo: Acho que fiquei ainda pior. Um cara tão tranquilo. Que isso sirva de lição para nós, que ainda estamos vivos e podemos tomar decisões que mudem nossos caminhos. Vivemos numa geração onde as pessoas querem aparecer a qualquer custo. Através de redes sociais, cada um faz seu próprio palco. Mas a fama tem um preço e, quando se está exposto, qualquer pressão toma uma dimensão tão grande que muitos se desesperam. Espero que eventos como esse nunca mais aconteçam.

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